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Vamos falar sobre Depressão?

Estar triste é diferente de estar em depressão. A tristeza é um sentimento normal na vida das pessoas e pode acontecer diversas vezes quando sentimos um desapontamento com alguma coisa, temos lembranças desagradáveis, quando acontece algum término de relacionamento, perda de algum ente querido e outros fatores. Ou seja, a tristeza tem um motivo e temos uma consciência muito clara do que está nos deixando assim, pode durar alguns dias e ser acionada novamente todas as vezes que lembramos algum fato, porém a recuperação da tristeza melhora com o tempo e conseguimos levar uma vida saudável, com disposição e motivação.

Já a depressão, é um sentimento profundo sim de tristeza, porém ele vem acompanhado de diversas outras características (as quais vou listar mais abaixo) e que pode durar por muito tempo. A falta de informação sobre o assunto, pode levar as pessoas a acreditarem que tudo não passa de uma maneira de chamar a atenção, porém tenham a certeza que depressão não “é frescura”, não “é drama” e não “é exagero”. Veja a seriedade dessa doença com os números abaixo:

Estima-se que 322 milhões de pessoas no mundo, são afetadas pela depressão. Só no Brasil, 11,5 milhões sofrem com esse problema. Em um estudo realizado 788 mil pessoas morrem por ano através do suicídio. As idades de maior risco estão entre 18 e 55 anos. Atinge em sua maior parte as mulheres e tem o maior índice de suicídio entre homens. (Fonte: Organização Mundial da Saúde-2017).

As causas para o transtorno são diversas, indo de fatores hereditários (casos de depressão na família, geralmente parentes mais próximos), biológicos (alteração química cerebral - serotonina, noradrenalina e dopamina, gravidez, alterações hormonais), químicos (utilização de alguns medicamentos, abuso de álcool e drogas), psicológicos (stress, insegurança, medo, baixa autoestima, descoberta de doenças graves) e até mesmo sociais (vítimas de violência, divórcio, desemprego, bullying, traumas).

Os sintomas da depressão, são:

1. Sintomas psicológicos de depressão

Sentimento de tristeza ou infelicidade
Pensamentos e sentimentos de inutilidade
Sentimentos de ódio de si próprio
Irritabilidade e intolerância com os outros
Sentimentos de desespero
Sentimento de impotência
Chorar quase todos os dias
Sentimento de culpa
Explosões de raiva
Dificuldade em tomar decisões
Sentir que não é possível apreciar a vida
Pensamentos de autoagressão
Pensamentos de suicídio
Sentir ansiedade e preocupação persistente

2. Sintomas físicos de depressão

Os movimentos do corpo podem ser mais lentos do que costumavam ser
Concentração e raciocínio reduzidos
Alteração nos hábitos alimentares e do apetite – normalmente, come-se menos e perde-se peso. No entanto, algumas pessoas podem comer mais e ganhar peso.
Baixo desejo sexual
Falta de energia, fadiga e cansaço mesmo em pequenas tarefas
Ciclo menstrual da mulher pode mudar
Inquietação
Dores inexplicáveis, como problemas de dor nas costas e dor de cabeça
Perturbação do sono (dificuldade em adormecer à noite, acordar muito cedo pela manhã, acordar durante a noite e não conseguir voltar a dormir e também dormir demais)

3. Sintomas sociais de depressão

Baixo desempenho no trabalho / escola
Evitar manter contato com amigos
Abandonar interesses e hobbies
Ter problemas em casa e vida familiar
Falar menos que o habitual
Sente-se sozinho
Acredita que as pessoas não são amigáveis
Sente que as pessoas não gostam de você
Pouco interesse ou prazer em se vestir bem ou cuidar da higiene pessoal
Sentir que não merece ser amado
Sentir que não é tão bom quanto as outras pessoas
Sente-se pouco atraente ou interessante
 
Um fato muito alarmante, é que as pessoas depressivas podem muitas vezes aparentar levar uma vida normal, pois elas aprendem a camuflar seus sentimentos por serem muitas vezes tratadas com certa intolerância e pouco tato. Amigos e familiares podem, constantemente, dizer frases como: “vai passar”, “levante-se e vá passear, fazer alguma coisa”, “você está assim porque quer”, “não aguento mais ouvir suas reclamações”, “como você é sensível”. E assim, a pessoa, portadora desse transtorno, vai se sentindo cada vez mais deslocada, acredita que não pode confiar em mais ninguém e passa a guardar tudo o que sente para si mesma, aumentando ainda mais o sentimento de “peso para o mundo”.

Por isso, é importante que você que esteja lendo, divulgue esse texto para as pessoas que conhecem, pois muitas delas podem se identificar com o conteúdo e precisam saber que elas não estão sozinhas, que alguém as compreende e que elas podem sim melhorar. Que esse assunto deve ser levado a sério. Ninguém sofre por escolha. Ninguém tem depressão porque quer. Ninguém gosta de sofrer. Ninguém acredita que não tem valor somente para chamar a atenção. As pessoas se sentem assim de verdade e simplesmente não conseguem mudar isso sozinhas.

Procurar um psicólogo ou um psiquiatra não é um sinal de que você é fraco. Ao contrário, mostra o quanto você tem sido forte até agora em aguentar tudo isso sozinho e te ajuda a retomar o controle da sua vida. Acredite que existem pessoas boas no mundo que querem te ajudar, que não vão te julgar, usar ou condenar. Não alimentem mais esses pensamentos de inutilidade, de inadequação, de fardo e principalmente, de que não podem ser amados. Digam: “Chega! Basta! Eu não mereço esse sofrimento”. E você, de fato, não merece mesmo. 

É importante você saber que nem sempre será necessária a utilização de algum medicamento para o tratamento da depressão. Ao procurar um profissional, serão avaliados diversos fatores para determinar se você precisa tomar alguma coisa ou não, para te ajudar a reequilibrar algumas funções cerebrais que possam estar causando ou agravando a situação. É importante ter a certeza que independente de medicamento, fazer terapia, ou seja, falar sobre o assunto, tirar esses sentimentos inadequados de dentro de você, despejar o lixo emocional que está te corroendo, se conhecer melhor e mudar crenças que você adquiriu ao longo da vida é o que vai potencializar a chance de solucionar o seu problema. Para você que já entrou em um medicamento, sentiu certo alivio e morre de medo de parar de tomar e voltar a sentir tudo que sentia antes, não pare a terapia. Quanto mais você falar sobre isso, mais forte vai tornar seu poder sobre si mesmo e seus sentimentos. Para você que ainda não procurou ajuda por medo de entrar nos medicamentos, procure um psicólogo. Se abra. Não se isole mais. A comunicação é a única maneira de te salvar desse monstro silencioso que te devora todos os dias por dentro. Alimenta-lo só vai piorar as coisas e agravar ainda mais, podendo gerar até doenças físicas raras e muitas vezes incuráveis. Não faça mais isso com você, eu te prometo que você não merece se sentir assim.

Saibam que a depressão se alimenta da solidão. Quanto menos você falar sobre o assunto, maior ela vai ficar. Escolha viver, você pode se surpreender. E se você precisar de alguém, eu estou aqui. Meus canais de comunicação estão sempre abertos à todos que precisam de qualquer tipo de ajuda. Se dê uma segunda chance.

Por Priscila Marchi | 28/07/2017